Há muito, muito tempo, numa floresta mágica de um reino muito distante, um príncipe medroso estava a conversar com a sua amiga fada, quando ouviu a mais bela voz, que jamais tinha ouvido, cantando a mais bonita canção. Isabela era a alegre filha dos reis de Felícia. Brincar e cantar na floresta era o que a princesa mais gostava de fazer, tal como naquele dia. Ao ouvir a canção, Julizeu, o príncipe mais medroso de todos os tempos, deixou a fada Flora a falar sozinha e atirou-se para dentro de um arbusto. Ao espreitar por entre as fiolhas, picou-se na mão, deu um berro e a princesa foi ver o que se passava. Quando os olhos do príncipe viram a beleza de Isabela, de imediato se apaixonou. Sorriu-lhe, mas ela ignorou-o, deixando-o triste e infeliz.
Nesse mesmo reino vivia um malvado gigante, de nome Malphu. Malphu era egoísta, gordo, peludo e temido por todos. No fundo da sua caverna, enquanto dormia, as suas orelhas triangulares ouviram a doce voz da sua amada Isabela. Levantou-se com um salto, bateu com a cabeça no teto da caverna, criando com estrondo um buraco que saía mesmo no meio da floresta. Espreitou pela abertura e com o seu enorme nariz, sentiu o cheiro do perfume da princesa, que se tinha calado e escondido atrás de uma árvore, assim que ouviu o barulho do gigante a bater com a cabeça. O nariz de Malphu era poderoso e não o enganava, Isabela estava mesmo ali. Com um gesto agarrou a árvore e a princesa ao mesmo tempo, que mesmo gritando, não impediu que ele a levasse para a sua horrorosa caverna.
Passaram-se horas, dias e semanas, e os reis de Felícia continuavam preocupados com o desaparecimento de Isabela. Pediram aos guardas para procurá-la, distribuiram cartazes por todo o reino, espalharam a notícia do seu desaparecimento, mas ninguém sabia dela. Até que Julizeu, viu um cartaz e foi ter com os reis, informar que tinha visto a princesa na floresta. Os reis, ao saber tal notícia, ganharam de novo esperanças em encontrar a sua filha e pediram ajuda ao príncipe, que lhes parecia um valentão. Julizeu começou a suar, gaguejou um pouco, tentou encobrir o seu medo e aceitou ir procurar a dona daquela magnifica voz que tinha ouvido na floresta e por quem se tinha apaixonado.
Assim que saiu do castelo, galopou no seu cavalo branco, rumo à floresta, onde foi perguntar à fada Flora se sabia o que tinha acontecido à princesa. Ao saber o que se tinha passado, Julizeu começou a tremer de medo, roeu as unhas todas de uma só vez e disse à fada que não era capaz de enfrentar o temível gigante. Flora acalmou-o, dizendo-lhe que ia fazer uma poção mágica, feita com morangos, casca de carvalho, trevos de quatro folhas, raspas de diamante e outros ingredientes que não lhe podia dizer mas que, o iriam tornar mais forte e ainda mais inteligente.
Após tomar a poção mágica e com um plano genial na cabeça, pôs-se a caminho da caverna, juntamente com a fada Flora disfarçada de Isabela.
Após tomar a poção mágica e com um plano genial na cabeça, pôs-se a caminho da caverna, juntamente com a fada Flora disfarçada de Isabela.
Quando chegaram à caverna, o príncipe desafiou o gigante, dizendo-lhe que era um fraquinho e que por muito que corresse, não o apanharia. Malphu com as suas orelhas a fumegar, saiu da caverna para ver quem era o valentão. Não viu ninguém, nem mesmo a fada a entrar à socapa na caverna.
Enquanto procurava o valentão que o tinha desafiado, o gigante viu sair a correr da caverna, aquela que ele pensava ser a princesa. Fugia em grande velocidade e o gigante desatou a correr atrás dela. A fada, disfarçada de Isabela, continuou a fugir e guiou o gigante até um enorme precipício, onde Malphu acabou por cair ao tentar agarrar a falsa princesa.
Na caverna, agora menos assustadora, Julizeu libertou a sua apaixonada princesa. Ele sorriu-lhe....e desta vez Isabela não o ignorou e sorriu também para ele.



